Entrevista exclusiva para RBG: Maurício Ribeiro fala sobre seu Serena Pinot Noir

Bem no alto da serra gaúcha, encontramos um vinhedo surpreendente, só com uvas Pinot Noir, típicas de lugares frios e difíceis de se aclimatar por aqui. Localizado em Nova Pádua, o Vinhedo Serena tornou-se uma referência em matéria de Pinot Noir no Brasil e hoje produz um dos melhores vinhos da América Latina, chamado, simplesmente, Serena.

Na entrevista abaixo, Maurício Ribeiro, dono da vinícola, conta em detalhes como fundou o Serena e como é o processo produtivo do seu vinho, que é considerado por entusiastas uma verdadeira obra de arte.

Por que resolveu produzir vinhos e porque escolheu o Rio Grande do Sul?

Projeto de vida. Sempre planejamos décadas antecipadas. Com 43 anos (eu e Christina, minha mulher) tínhamos dinheiro para nos "aposentar". O que para nós seria uma morte. Então investimos tudo (com planejamento, claro!) na criação de um "futuro" saudável, criativo, produtivo, que contribuísse e agregasse valor a comunidade e ao país e que nos proporcionasse prazer, convívio, alegria e saúde até o nosso ultimo momento na Terra. E tudo foi feito numa dimensão de acordo com esta perspectiva. E para casar com nossos objetivos e o lugar que escolhemos para viver, nada como a Pinot Noir.

Pinot Noir no Brasil. Uma uva tão difícil.. Por que vocês escolheram essa uva e como fizeram ela se adaptar no RS?

A resposta daria um livro! Sou Engenheiro Agrônomo e descendente de imigrantes agricultores do sudoeste e oeste da Alemanha, com alguma tradição de agricultura camponesa, daí o biodinamismo, que estamos experimentando pessoalmente já a partir dos anos 70. Fomos precursores na América Latina, existiam apenas algumas famílias desta mesma origem aqui no sul. Comecei a beber vinho regularmente a partir dos 16 anos (em casa, eu bebia vinho desde bebê, um dedo com água; meu avô me incentivava, assim como fazia com o chimarrão). Por herança e depois pela carreira no mercado financeiro (fiz, também, especialização em finanças, além de enologia) tinha dinheiro. E o único vínculo com a terra era o vinho nosso de cada dia. Então, daí para Pinot Noir foi um pulinho. E muita viagem, conhecimento de geologia e solos, climatologia, viticultura, observação, a vivência e troca de experiência com os outros vitivinicultores no Velho e no Novo Mundo. Não tenho dúvidas de que o melhor ambiente na America Latina para a Pinot Noir são as áreas altas, basálticas, no Rio Grande do Sul. Chegar no local exato onde seria o Vinhedo Serena levou 20 anos de pesquisa de campo (com MUITA ajuda dos trabalhos precursores da Embrapa). E provar vinhos "marginais" de Pinot Noir dos produtores de espumante da Serra Gaúcha, na época em que agroquímica e enologia moderna eram menos difundidas, me deu certeza de investir.

Como acha que a PN se expressa aqui no RS?

O "problema" aqui é 100% cultural, uma vez que a região que produz a uva é ocupada basicamente por imigrantes italianos que vieram paupérrimos e assim permaneceram até a década de 80 mais ou menos. Quando conseguiram melhorar de vida, relegaram a agricultura a terceiro plano. Não dá para criticar o uso indiscriminado da agroquímica nem a busca da maior produção possível por área, porque foi isto o que os manteve acima da linha da água e lhes deu condições de acumular capital para empreender e sair da pobreza. Hoje a região tem o maior PIB per capita do Brasil. Para a PN se expressar plenamente precisa de agricultura bio, MÍNIMA produção por videira (máximo 6 a 8 cachos por planta, menos de 500g), e isso vai "totalmente contra" a tradição local. A PN ama solos ricos em basalto e calcário, ótima drenagem (rochas fendilhadas), argila sílico-ferrosa, chuva (não suporta irrigação), e temperatura de maturação que não supere os 28/29 graus (muito mais importante do que a inversão térmica noturna, mas isto pouquíssima gente entende, e é mais uma razão para a PN do Novo Mundo quase nunca alcançar o equilíbrio). No Vinhedo Serena invariavelmente, alcançamos maturidade fenólica (o que é raro), com potencial alcoólico em torno de 12 graus. Espetáculo! No Vinhedo São-Paulino o resultado é semelhante, porém no limite de altitude.

Por que um vinho com o nome “São-Paulino" e por que "Serena"?

O Serena São-Paulino é um vinho recente, de uma parceria com o Vinhedo Sâo-Paulino, que não é nosso, e sim de um amigo. Compramos deles a uva, selecionadíssima, vinha por vinha. Compõe 80% do resultado final (20% provém do nosso Vinhedo Serena safra 2015). Este vinhedo localiza-se em Vacaria, a 930m de altitude, uns 100km ao norte de Nova Pádua (estamos a 750m). O nome não tem nada a ver com o time paulista, até porque eu sou gaúcho. Serena é um projeto de vida que foi gestado décadas antes do início da implantação (2001). É uma propriedade minúscula, de 2 hectares, porém "O local" para cultivar Pinot Noir. O nome foi a Christina, minha mulher, quem deu, pensando no efeito que gostaríamos de transmitir aos nossos amigos quando fossem beber o fruto do nosso trabalho. E também como uma homenagem indireta aqueles que chegaram antes em Nova Pádua, vindos de Vicenza, cidade da Serenissima Republica.

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