Trentino Alto Adige e as regiões vinícolas que você talvez nunca tenha ouvido falar

Existem países que produzem vinhos e dos quais talvez nunca tenhamos ouvido falar. O Líbano, por exemplo que produz o belíssimo Château Kefraya, na região do Vale do Bekaa, e até a Suíça, com seu Mâitre de Chais, produzido na região de Valais. Isso sem falar no Myanmar, Eslovênia e Canadá.

Mas mesmo aqueles tradicionalmente produtores de vinhos (ainda) escondem regiões que (ainda) produzem em pequena escala rótulos em geral reservados para o consumo interno e que (ainda) raramente chegam ao mercado internacional. É o caso de Trentino Alto Adige, localizada na parte mais ao norte da Itália, que faz fronteira com a Áustria e a Suíça.

A região era parte do Império Austro-Húngaro e foi motivo de briga entre os austríacos e italianos, que, em 1919, depois da Primeira Guerra Mundial e da derrota da Áustria reivindicaram o território. Hoje, o território é composto por duas províncias autônomas, Trentino, onde se fala quase que exclusivamente italiano, e Alto Adige (ou Tirol do Sul), em que a língua alemã predomina. Os vinhos, como não poderia deixar de ser, vão refletir essas influências. (E você só vai se beneficiar com isso, continue lendo).

A região é cortada pelo rio Adige, o segundo maior da Itália, que nasce nos Alpes e morre no Mar Adriático. Os vales formados pelo Adige e seus afluentes abrigam quase todos os vinhedos da região. Fora dos vales, os picos nevados das Dolomitas, que não são as mais altas, mas certamente são as mais belas montanhas do mundo, segundo dizem por lá, dominam a paisagem. E você vê aqui e ali, vinhedos convivendo com pistas de esqui e outros esportes de inverno.

Pequena, mas multifacetada, é assim que costumam definir a produção de vinhos da região. Nos cerca de 5400 ha de áreas de vinhas do Alto-Adige, são cultivadas 20 variedades de uvas! A rigor, existem nove DOC (Denominação de Origem Controlada) e quatro IGPs , as duas principais e que respondem pela maioria dos vinhos produzidos são as DOCs de Trentino e Alto-Adige. Grosseiramente falando, em Trentino a produção, centralizada na mão de cooperativas e produtores maiores, é mais voltada para o mercado, em Alto_Adige, os pequenos produtores experimentam mais com variedades locais e vinhos diferenciados.  

Em 2017, segundo dados da Italian Wine Central, a região produziu um milhão de hectolitros de vinho, dos quais dois terços brancos e 91% deles seguindo as regras de qualidade das DOCs, a maior porcentagem em toda Itália.

Cada vez mais se cultivam variedades de uvas tintas clássicas como Pinot Noir, Merlot, Cabernet Sauvigon e Cabernet franc, mas historicamente, a produção tem sido dominada pelas variedades locais,  como Lagrein e Schiava. A Lagrein é uma uva antiga, que produz vinhos intensos e robustos, embora nunca pesadões, e que envelhecem bem. A Schiava, também conhecida como Vernatsch, ao contrário, produz vinhos mais leves e frutados com baixo teor de álcool.

Não chega a surpreender o fato de que os brancos do Alto-Adige guardem muitas semelhanças com os vinhos alemães e austríacos produzidos logo ali ao norte. Entre as uvas brancas cultivadas, estão Manzoni, Muller Thurgau, Riesling, Sylvaner, Gewurztraminer, Kerner. Mas o cultivo de variedades brancas internacionais conhecidas, como Pinot Grigio, Gewürztraminer, Pinot Bianco e Chardonnay também não pára de crescer, acelerado pela qualidade da produção local. Aliás, os Pinots Grigio de Trentino Alto-Adige, mais ácidos e menos frutados, são considerados excepcionais! Pode ficar de olho!

Algumas vinícolas para visitar na região:

O Franz Haas Winery é um gracioso vinhedo que recebe turistas apaixonados por vinhos, assim como as Cantinas Rotari e Camin, todas elas na região de Trentino Alto Adige!

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